Os Sem-Abrigo

Existem pessoas que só comem porque lhes levam comida .

Existem pessoas que só têm agasalhos porque outros se sacrificam por eles.

Existem pessoas, muitas pessoas, que dependem das centenas de voluntários

que todos os dias combatem anonimamente a pobreza.

Olhamos para eles
e sentimo-nos incomodados.

Incomodados e impotentes.

Podemos aliviar a consciência
com uma moeda.
Ou com comida.

Ficamos aliviados mas não curados.
Há qualquer coisa que continua a roer
por dentro.

A culpa não é nossa.
Individualmente.
Se calhar nem deles.
Individualmente.

É bom que nos sintamos incomodados.

Será ainda melhor
se fizermos alguma coisa.
Alguma coisa significativa.
Alguma coisa que os alivie.

E também alguma coisa que evite
o aparecimento de outros como eles
(eventualmente nós próprios).

Todos nós, todos os dias, a qualquer passo nas ruas de qualquer cidade, nos deparamos com seres humanos humilhados, miseráveis, pobres, famintos, magros, indesejáveis, desnutridos, são as vítimas da nossa sociedade. Mais de 100 mil pessoas morrem devido à fome todos os dias em todo do mundo.

Distribuição 8 de Janeiro de 2010

No dia 8 de Janeiro o nosso grupo no âmbito da disciplina de Área de Projecto composto pela Cátia, pelo Cristiano, pelo José e pela Berta deslocou-se ao Porto com o objectivo de fazer uma distribuição de alimentos aos sem-abrigo pela associação CASA (centro de apoio aos sem-abrigo) situada também na cidade portuense.

As expectativas que tínhamos em relação a esta experiencia eram mais degradante, isto é, pensávamos que iria ser um bocado complicado pois iríamos estar de perto daquelas pessoas que normalmente vemos deitadas por exemplo no chão de uma rua ou numa esquina de uma rua que cada vez mais são rejeitadas.

Mas os voluntários da associação CASA ajudaram-nos a compreender como interagir com este tipo de pessoas, os sem-abrigo. Uma das coisas importantes de quem ajuda estas pessoas nas distribuições são as normas de higiene, que tínhamos de seguir cuidadosamente devido a questões de saúde.

Como em todo o lado há de tudo, pessoas boas e pessoas más e os sem-abrigo não fogem à regra, mas o grupo de sem-abrigo com que contactamos neste dia eram muito simpáticos, divertidos e bem-educados.

Normalmente há um preconceito em relação aos sem-abrigo, associamos a pessoas que não se relacionam, violentos e degradantes. Esta experiencia ajudou-nos a não ter um certo medo ou receio dos sem-abrigo e a socializar com eles. Também com eles aprendemos histórias de vida pois todos têm uma história espantosa para contar ou desabafar e todas são emocionantes.

Ao contactar com estes casos, faz-nos mudar a perspectiva de vida, faz-nos reflectir. Quando o mundo está a acabar, lembramo-nos destas pessoas que não têm nada nem ninguém e tentam seguir em frente e continuam a viver como podem, e assim, deixamos de estar mal e damos graças por sermos quem somos e por ter aquilo que temos – carinho, comida, amor, etc. Enquanto muitos outros não têm.

Os voluntários que acompanham estes sem-abrigo enfrentam tudo por exemplo o tempo. Quando chove estes têm que fazer na mesma a distribuição porque “ninguém morre à chuva, mas sim à fome” (frase citada por um voluntário). A interacção destes voluntários com os sem-abrigo fazem mudar um pouco as suas vidas. O convívio e o carinho que os voluntários recebem (como forma de agradecimento) por parte dos sem-abrigo nestas distribuições é muito gratificante, pois sabemos que estamos a ajudar quem mais precisa.

Com isto aconselho a todos que experimentem ser voluntários, a sensação é muito boa e estão a ajudar. Toda a ajuda possível é necessária.

Ao todo no Porto são cerca de 1500 sem-abrigo.

O que os levam a ser sem-abrigo?

A maioria das vezes o divórcio é o principal culpado. As pessoas afastam-se da família, ficam sem ninguém, metem-se no álcool tornando-se um vício, o que pode levar também ao desemprego, Assim, ficam sem meios financeiros para se sustentarem, perdem até a sua habitação e como ultima alternativa vão viver para a rua. Ou então quando se tornam toxicodependentes, em que largam tudo o que têm e quem os rodeia gastando tudo o que têm na droga. Estes tornam-se mais um dos grandes preconceitos da sociedade pois não são compreendidos porque são viciados e ao mesmo tempo são sem-abrigo, só que existem muitos outros toxicodependentes mas como vivem noutras condições que não na rua, já não há o tal preconceito e por esta ideia generalizada, a reacção das pessoas não é das melhores.

Os sem-abrigo também são seres humanos, assim a nossa reacção ao vê-los não deve ser má, mesmo que o aspecto seja mau, não podemos transmitir nenhum sentimento de rejeição devendo ser compreensivos, ouvi-los, conversar…


 
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